O Público e o Objeto de Arte
Promover encontros é a natureza intrínseca da arte seja entre o individual e o coletivo, entre classes sociais ou mesmo entre o trabalho de arte e os valores culturais de sua época.
24 de setembro de 2016

Arte é uma forma de expressão cuja presença na história da humanidade remonta a dezenas de milhares de anos com pinturas pré-históricas e que desde então permanece no lugar do que é fundamental à experiência humana de vida. A arte incorpora, assim, uma natureza tão dinâmica, temporária e transitória quanto os períodos da história, civilizações e idéias que a geram. No Século XVIII, período inicial das realizações de leilões de arte na Europa, Goya define o processo de criação da arte da seguinte forma: “A fantasia, quando abandonada pela razão, produz monstros impossíveis; unidas, as duas são a mãe das artes e a origem das maravilhas.” Sugerindo que arte de 1799 poderia ser vista como o produto de um encontro subjetivo entre a fantasia e a razão. Promover encontros é a natureza intrínseca da arte seja entre o individual e o coletivo, entre classes sociais ou mesmo entre o trabalho de arte e os valores culturais de sua época. Além disso, ela promove encontros dos mais diversos tipos por meio de sua apresentação, institucionalização e comercialização.


Guernica, a partir de Picasso Ed. 6, 88 x 200 cm - 2009


O encontro entre o público e o objeto de arte, por sua vez, instiga no espectador, uma interpretação do objeto que se vê, toca e se sente. Como efeito disso, histórias vão sendo criadas e narradas e resignificadas de forma espontânea nos locais em que público e arte se encontram e circulam. Nas ultimas décadas, grandes casas de leilão como a Christie’s e Sotheby's vem privilegiando as histórias criadas pelo encontro do público com o objeto de arte e assim modificando o formato de seus leilões. As históricas casas de leilão vêm atribuindo aos seus leilões uma atmosfera leve e descontraída com lugar para o entretenimento e socialização dos seus clientes. Aqui, a arte, que se renova ciclicamente, passa a encontrar o público em um novo cenário de consumo no qual se apresenta através da ressignificação atribuída pelos inéditos olhares sobre ela.

  

O Leilão de arte Mazo, incorporando a natureza dinâmica das idéias em que a arte se materializa, acontece aos moldes desses eventos sociais vibrantes. Eventos que pretendem aproximar obras de coleções antigas ao público atual por meio de seleções inéditas e raramente reunidas. Além disso, a Mazo articula a união entre a arte e sua autêntica função social com uma proposta beneficente de apoio a unidade de transplante de medula óssea do Hospital Pequeno Príncipe, que está sendo ampliada. O arremate na Mazo, além de atribuir um novo sentido a obra, vai à busca da mudança social que a arte pode alcançar.